Pryscilla

Tivemos uma gravidez de baixo risco, leve, ativa. Não enjoei e trabalhei até dia 18 de dezembro, dirigi até Dri (meu esposo) achar melhor parar por precaução, já com umas 38 ou 39 semanas. Aproveitei muito cada momento dessas 40 semanas. 

Descobri dia 30 de abril na casa de uma amiga após 15 dias de atraso da menstruação, foi próximo ao aniversário do papai (foi o presente dele) no dia 2 de maio. 

Dia 23 de dezembro saiu o tampão mucoso. Passamos o natal tranquilamente na casa da minha mãe e já levamos nossas malas para lá a espera do dia do nascimento do Asafe. Ambos, Dri e mamãe estavam trabalhando e eu ficava em casa sendo monitorada por eles.

 Segunda-feira dia 26 comecei a ter contração de 1 em 1 hora, continuei fazendo as coisas normalmente. Decidimos no final do dia ir até a Ilha do Governador passar o aniversário com alguém amado. Caminhamos na praia e fomos a um rodízio maravilhoso de petiscos, lembrando que de uma em uma hora vinham as contrações. Lembro de apertar o braço do Dri na praia quando ela vinha, era algo novo e sempre inesperado apesar de saber que voltaria em uma hora. Voltamos para a casa da minha mãe e fomos dormir por volta de 22 ou 23 horas.

Quando marcou 1 hora da manhã acordei querendo ir ao banheiro e me senti molhada, percebi que não era xixi, mas precisei correr para o banheiro onde fiz minhas necessidades. Voltei quietinha para a cama, já em estado de alerta e com aquela quase certeza de que a bolsa tinha rompido. Fiquei no facebook e whatsapp me distraindo porem monitorando o intervalo das contrações. O curioso que uma amiga postou neste momento “Asafe podia nascer logo” (fiquei rindo baixinho). 

O intervalo diminui para 30 minutos, para 20 e depois para 10. Meu coração batia forte, estava animada em saber que estava chegando a hora e nervosa também. Por volta de 02:20 horas acordei com carinho Adriano, disse que estava bem, com dor forte na lombar, que estava contraindo de 10 em 10 minutos e avisei a equipe.

Tomei um banho quente para aliviar como elas indicaram. O banho ajudou muito com a dor, voltei muitas vezes para o chuveiro ao longo do trabalho de parto. Os intervalos continuaram a diminuir, às 3:00 hs já estavam de 4 em 4 minutos, até aqui eu me concentrava, respirava fundo e procurava a melhor posição, fiquei um bom tempo no sofá.  Tomei um chá quente, acho que era de hortelã. As contrações começaram a ficar bem incomodas, realmente parecem cólicas menstruais muitas vezes aumentadas, porem o pior para mim eram os ossos da lombar ardendo. Decidi me deitar e pedi ao Dri para ficar ao meu lado.  

Drielle já estava a caminho e começamos a monitorar as contrações pelo aplicativo. Ela chegou em torno de 5:15 hs. Monitorou o coração, perguntou se eu queria uma massagem com óleo na lombar e eu aceitei logo. Resolvi voltar para o chuveiro, fizemos um banquinho improvisado e fiquei debaixo d’água. Em um momento colocava a barriga, no outro as costas, no outro a água incomodava e eu pedia para desligar. A esta altura não queria mais sair do lugar, precisava da presença do Dri, não deixei mais ele sair de perto de mim, não soltava mais sua mão, queria sentir ele. 

A partir daí intervalos de 3 minutos, 2 minutos… não dava tempo da dor ir embora mais, quando começava a diminuir vinha outra e outra contração parecia que não tinha intervalo nenhum. Comecei a duvidar que era capaz, a dor era tamanha. Senti meu rosto fazer expressões que nunca fiz antes. Dri nessa hora me lembrava da lista de motivos pelos quais eu não queria estar no hospital e então eu permanecia e o intervalo diminuiu para 1 minuto.

Comecei a ficar aflita por não ver a piscina montada e pedi para perguntarem a Drielle se não iria montar. Ela disse que era o último recurso dela para alívio da dor (o real motivo para a piscina num parto humanizado, não é só para ser bonito) e depois disso não teria outra opção. Eu afirmei que queria assim mesmo, não ficaria em paz enquanto não visse tudo pronto e assim que começou a encher me deu aquela vontade de fazer força do nada, vi minha mãe e a Tina (amiga que estava tirando fotos e auxiliando em tudo) jogando panelas de água quente para deixar a temperatura na piscina adequada. 

Era em torno de 6:30 / 7:00 da manhã, decidimos que era hora de ir para a piscina, saí do box finalmente, sentei um pouco no vaso a vontade de fazer força continuava… vislumbrei o dia clareando pela janela da sala e nos direcionamos para o quarto que estava escuro e com a piscina. Entrei, me deitei de lado e sentia vir as ondas de trás para a frente da barriga, eram sempre 3 vezes seguidas, junto uma vontade enorme de fazer cocô, sinal de que ele estava chegando mesmo, então me animava para continuar.

A Ariana e a Mariana chegaram. Lembro de ver Ariana e Drielle se comunicando por olhares e por mensagens.

Estava em trabalho ativo e ela vinha, uma força que contraia todo o meu corpo, flexionava tudo e ficava na posição de feto até passar… senti muito calor e uma sede descomunal, perdi a noção de tempo completamente, ouvia e entendia tudo que falavam comigo, mas não tinha vontade e evitava falar simplesmente porque tudo no meu corpo gritava e precisava estar atenta a tudo. Aquela dor na lombar aumentou em muitas vezes, queimava, queimava e sentia nitidamente os ossos se afastando. Pedi água algumas vezes, chocolate para ajudar meu corpo cansado e ter um sabor bom na boca, mel não me lembro se nesse momento também. A secura na boca era enorme então pedi gelo e aliviou em uns 30%. Tudo incomodava, uma fresta de luz, a luz da câmera, o toque de alguém (meu esposo ou minha mãe) ainda que fosse para incentivar. Entrei na tal partolândia. Parecia que não estava evoluindo ou estava pouco… acho que todos sentiram isso. 

Ariana sugeriu sair da piscina e tentar outra posição, de início achei que tentar me mexer muito podia piorar todas as sensações, mas vi na expressão dela e da Drielle que precisava sair dali. Perguntei se achavam melhor e ela falou que posições verticais eram melhor e iria favorecer tudo. Na hora lembrei de tudo que estudei e topei. 

Tentamos a banqueta de parto, a lombar incomodou mais, a Mariana ajudou muito fazendo massagem, foi um grande alívio. Mas a posição era incomoda demais para mim, a banqueta era rígida e não achava posição. Decidimos ir para a cama no outro quarto, lembro de dar dois ou três passos e não conseguir me mexer mais, a força era tamanha comecei a agachar, minhas coxas e pernas tremiam tanto que não aguentava ficar em pé. Adriano começou a suspirar quando o puxo passava, olhei para ele e entendeu que estava me desestimulando e ele saiu do quarto. Aí tudo engrenou de vez, agarrei no batente da porta, colocaram toalhas e fraldas embaixo de mim. Desci até o chão, senti Asafe coroar, sair um pouco com a cabeça, não quis colocar a mão para não achar que foi muito ou pouco, o importante é que estava lá… senti seu rostinho mexendo, foi uma sensação engraçada em meio a dores e ardências, eu ri nessa hora, fez até um pouco de cosquinha.

Todo assoalho pélvico queimava, ardia, de verdade não ligava queria é ver meu filho logo… mas já estava no limite, na minha cabeça já estava no meio da tarde, só falei bem alto: Filho ajuda a mamãe! E então a cabeça saiu por completo, arregalei meu olho para a Tina como quem diz, cadê meu marido e minha mãe, o menino está nascendo… Eles vieram e uns 30 segundos depois saiu todo o corpinho do meu filho. Todos choravam, 2 parteiras me ajudaram a sentar, por causa da posição ajoelhada / 4 apoios eu já não sentia nada da cintura para baixo. Ouvimos o seu chorinho pela primeira vez, a parteira que ficou olhando Asafe colocou ele em meus braços, e de verdade não consigo definir as sensações que tive nessa hora. 

Após alguns minutinhos fomos para a cama, ficamos curtindo, chorando, amando o Asafe, Dri e eu. 

Uma das parteiras ficou num cantinho quieta monitorando a placenta, as contrações eram irrisórias nesse momento, quase uns 20 minutos depois ela pediu para ver e assim que levantou minha perna saiu tudo de uma vez. Adriano cortou o cordão umbilical. Ariana me levou para o banho, lembro de desejar muito lavar minha cabeça, ao voltar para o quarto comi enquanto elas faziam os exames básicos no baby, era cumprido e magrinho, mesmo todo inchadinho, e todos estavam ali envolvidos. Tiramos fotos e a equipe foi embora. E nós 3 fomos descansar, dormimos como família.

Proporcionamos um ambiente saudável e adequado para apoiar o seu parto.

R. Conde de Bonfim 112, sala 606Tijuca, Rio de Janeiro

Sankofa © 2020 – Todos os direitos reservados.

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